Por Marcelo Oliveira e Maria José dos Anjos*

Bem, a grande dificuldade existe devido à falta de opções e oportunidades para esses adolescentes que vivem na periferia da zona sul de São Paulo. Como exemplo, os espaços de lazer e cultura são quase inexistentes; os Centros Educacionais Unificados (CEUs) e as Fábricas de Cultura são ainda inacessíveis a esses jovens.

Dentro das comunidades existe muita desinformação e preconceito, além de baixa autoestima entre os jovens. Isso dificulta a realização das atividades semanais propostas pelo projeto. Há também o preconceito racial, de gênero e também devido à orientação sexual de alguns deles.

Existe ainda a barreira inicial da fase da adolescência em que eles, costumeiramente, demoram um tempo maior para demonstrar confiança a algo novo.  E isso vale para o Projeto Tipo Assim II, que fala abertamente sobre prevenção de DSTs/AIDS e sobre sexualidade, tema esse que muitos deles estão vivenciando em seu cotidiano e não têm abertura para conversar com os seus pais ou responsáveis em casa para obter orientações corretas.

Outro problema vivenciado durante o projeto é o distanciamento dos pais ou responsáveis em relação aos adolescentes e as instituições promotoras de trabalhos de assistência social e educacional. Alguns pais agem como se instituições fossem simplesmente um depósito de crianças e adolescentes. Nesses casos, a dificuldade para o projeto torna-se ainda maior, visto que, ainda é necessário ensinar cidadania, respeito e educação a esses jovens.

Quando a coordenação das instituições são mais presentes no cotidiano dos projetos, o processo educativo é mais eficiente e ágil. O contrário também é verdadeiro, pois na ausência da coordenação, fica quase impossível realizar boas atividades, já que os jovens podem não demonstrar nenhum respeito pela instituição.

O Projeto Tipo Assim II é totalmente interativo. Desde o início das atividades até a formatura os jovens participam ativamente, escolhendo, por exemplo, além do tema da formatura o local onde será realizada a atividade externa (geralmente parques, museus, teatros e cinema). Durante o projeto eles participam ainda de visitas aos serviços de saúde especializados, tais como o Serviço de Assistência Especializado (SAE) e o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA).

Hoje o projeto é realizado em 12 oficinas, sendo a primeira a apresentação e a última o encerramento e preparativos para a formatura. As outras dez oficinas são temáticas com os temas: corpo físico, corpo erótico, relações de gênero, sexo seguro, violência doméstica, álcool e outras drogas, cultura familiar e sexualidade, violência e exploração sexual, gravidez na adolescência e projeto de vida.

*Marcelo Oliveira é graduando em psicologia e coordenador do Projeto Tipo Assim e Maria José dos Anjos é bacharel em serviço social e técnica do projeto.