Campo Limpo29/08/2016 – 16h40

A médica acusada de praticar violência obstétrica contra uma jovem soropositiva no Hospital Municipal do Campo Limpo, em julho do ano passado, finalmente foi penalizada e repreendida pela Autarquia Hospitalar Municipal de São Paulo. Em nota divulgada nesta segunda-feira (29), a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo informou que o desfecho do caso está registrado no prontuário funcional da obstetra, identificada pelas iniciais A.C.H.M, e a pena foi aplicada conforme previsto no Estatuto dos Servidores. A Agência Aids e o movimento social aguardaram 341 dias por resposta definitiva da Prefeitura de São Paulo.

Denunciamos em 24 de setembro de 2015 o pesadelo que uma jovem de 18 anos viveu no hospital do Campo Limpo, na zona sul de São Paulo. A garota contou que sofreu várias formas de violência física e verbal na sala de parto da instituição, onde deu à luz o filho, hoje com um ano. Relembre aqui.

Na época, a jovem também denunciou um procedimento errado relacionado ao filho recém-nascido. A médica residente Synthia Souza (identificada na nota como S.S.S.) prescreveu 10,1 ml de AZT para o bebê a cada 12 horas. Segundo infectologistas ouvidos pela Agência Aids, o certo são 4 mg por quilo/dose. No caso desta criança, que nasceu com 2 quilos e 700 gramas, o recomendado é 3,6 ml, segundo calculou a infectologista Mariliza Henrique, do CRT (Centro de Referência e Tratamento – SP), a pedido da reportagem.

Assim como a obstetra, Synthia foi penalizada. A nota diz que ela recebeu advertência já aplicada pela Comissão de Residência Médica (COREME).

A assessoria de imprensa informou ainda que foram feitas mudanças nos processos de trabalho da equipe hospitalar. Agora, o local conta com uma sala de prescrição para neonatologia. Além disso, a ficha de ginecologia ganhou novos campos que deverão ser preenchidos obrigatoriamente. As prescrições feitas pelos residentes também serão verificadas e rubricadas pelo médico preceptor, além da revisão de todos os protocolos assistenciais, incluindo aqueles para pacientes soropositivos.

Outra medida tomada pela Autarquia Hospitalar Municipal na tentativa de evitar casos como esse foi a capacitação e a sensibilização dos profissionais de saúde sobre as melhores práticas assistenciais.

A resposta da Secretaria também é uma devolutiva a uma carta enviada pelo Mopaids (Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids) no dia 4 de agosto. Nela, o Mopaids exigiu uma resposta do secretário Alexandre Padilha. “Queremos saber qual é a conclusão da auditoria”, diz o documento.

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Redação da Agência de Notícias da Aids (imprensa@agenciaaids.com.br)